Rigorismo e Laxismo
Jean Delumeau cita em profusão textos que ora propõem aos confessores usar de severidade para com os penitentes, ora propõem brandura até o extremo do laxismo ou da condescendência exagerada. Isto pode deixar o leitor perplexo. Todavia nada tem de estranho, caso se pense que ao pai espiritual compete procurar o bem dos seus dirigidos de acordo com as modalidades da cultura e da compreensão de cada um. A própria S. Escritura propõe normas ora muito severas, ora mais brandas; tenham-se em vista:
. Eclo 30, 1: "Aquele que ama seu filho, usará com freqüência o chicote, para, no seu fim, alegrar-se".
. Pr 13, 24: "Quem poupa a vara, odeia seu filho. Aquele que o ama, aplica a disciplina". Cf. Pr 23, 13s; 29, 15.
. Ap 3,19: "Quanto a mim, repreendo e educo todos aqueles que amo".
Ao lado destes dizeres rigoristas, outros há que apregoam compreensão indulgente:
. 2Cor 1, 23: "Invoco a Deus como testemunha da minha vida; foi para vos poupar que não voltei a Corinto".
. 2Cor 2, 7: "Perdoai-lhe (ao injusto agressor) e consolai-o, a fim de que não seja absorvido por tristeza excessiva... Exorto-vos a que deis provas de amor para com ele... Àquele a quem perdoais, eu perdoo".
Estas duas atitudes pastorais, guardadas as devidas proporções, se reproduziram - nem podiam deixar de se reproduzir - no decorrer dos séculos. Entende-se, pois, que tenha havido confessores severos e confessores menos rigorosos e que tenham debatido entre si quanto ao modo de promover o maior bem de seus penitentes. Delumeau nota que de 1564 a 1663 foram publicados no mínimo seiscentos tratados de casuística, na procura do mais pastoral dos procedimentos dentro dos costumes e das tendências da época: cf. p. 104.
. Eclo 30, 1: "Aquele que ama seu filho, usará com freqüência o chicote, para, no seu fim, alegrar-se".
. Pr 13, 24: "Quem poupa a vara, odeia seu filho. Aquele que o ama, aplica a disciplina". Cf. Pr 23, 13s; 29, 15.
. Ap 3,19: "Quanto a mim, repreendo e educo todos aqueles que amo".
Ao lado destes dizeres rigoristas, outros há que apregoam compreensão indulgente:
. 2Cor 1, 23: "Invoco a Deus como testemunha da minha vida; foi para vos poupar que não voltei a Corinto".
. 2Cor 2, 7: "Perdoai-lhe (ao injusto agressor) e consolai-o, a fim de que não seja absorvido por tristeza excessiva... Exorto-vos a que deis provas de amor para com ele... Àquele a quem perdoais, eu perdoo".
Estas duas atitudes pastorais, guardadas as devidas proporções, se reproduziram - nem podiam deixar de se reproduzir - no decorrer dos séculos. Entende-se, pois, que tenha havido confessores severos e confessores menos rigorosos e que tenham debatido entre si quanto ao modo de promover o maior bem de seus penitentes. Delumeau nota que de 1564 a 1663 foram publicados no mínimo seiscentos tratados de casuística, na procura do mais pastoral dos procedimentos dentro dos costumes e das tendências da época: cf. p. 104.
"A CONFISSÃO E O PERDÃO" (POR JEAN DELUMEAU)


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